Embora não tenha recebido qualquer carta , ou e-mail, supostamente enviada a todos os Clubes, contestando e criticando a decisão do Presidente da Assembleia Geral da FP pela convocação de eleições para os Orgãos Sociais para o próximo dia 8 de Janeiro, tive ocasião de a ler , não tendo ficado nada surpreendido pela simples razão de ter sido, prévia e lealmente informado, pelo Presidente do G.D de Direito, de que o iria fazer. É um direito que lhe assiste e que, naturalmente, muito respeito.
No entanto, embora o alvo não seja eu – pelo menos directamente – é óbvio que também me sinto visado. Injustamente. Tão injustamente quanto são as acusações feitas ao Presidente da Assembleia Geral !
Independentemente de se concordar ou não , vai mesmo haver eleições! Foram marcadas por quem tem legitimidade para o fazer, dentro do prazo legalmente previsto, pelo que apenas temos que aceitar esta realidade.
Há quem concorde e há quem discorde, naturalmente.
Todavia, muito mais importante do que tentar apurar se se sabia, ou não ,das intenções do actual Presidente da Assembleia Geral – para mim é absolutamente claro que todos sabiam ou tinham obrigação de saber... - é que os Delegados fiquem a conhecer das razões da convocação destas eleições, quais os projectos e quem os corporiza. Pelo que é público, até agora, apenas eu me disponho a enfrentar o actual Presidente da Direcção da FPR. Não o faço por outra razão que não seja a da coerência com a minha conhecida posição de discordância da política , e da forma, como tem sido dirigido o rugby nacional.
Por muito que possamos fazer fé nos Programas Eleitorais, a verdade é que uma coisa é escrever, outra, bem diferente, é materializar todas as promessas e intenções.
Para quem acompanha a modalidade, fica muito claro que há dois projectos, completamente divergentes em confronto: Um, defendendo a manutenção da actual política de distanciamento dos Clubes, privilegiando , quase em exclusividade, a Selecção Nacional e um outro que acredita poder conciliar esses interesses com os dos Clubes
O primeiro – que aliás apoiei inicialmente – teve, e tem, desvios programáticos importantes , com a agravante de, no meu entender, não ter sido capaz de potenciar o clima de euforia que se criou depois do Mundial de França. De facto, ao contrário de que é apregoado, a verdade é que a competitividade interna regrediu, o distanciamento da Direcção aos Clubes se acentuou, o público se afastou, a visibilidade é quase nula, o que justifica o “ isolamento “ da Selecção Nacional que não só sobreviveu a este negativismo como – é justo dizê-lo – conseguiu criar condições únicas para uma preparação competente que vai permitir, o que para todos nós é o mais importante esta época - A classificação para o Mundial , na Nova Zelândia!
É esta a nota mais positiva da governação da actual Direcção. Mas pouco mais…
A actual política está a conduzir ao progressivo definhamento dos Clubes! Havia, há pouco tempo, sete ou oito equipas de valor semelhante, quando hoje há quatro de nível claramente superior, com a particularidade de serem todas de Lisboa.
Apesar desta constatação, mesmo depois de denunciado este divórcio com os Clubes, a FPR insiste na sua marginalização , não os ouvindo nas decisões que lhes dizem respeito directamente, substituindo-os indevidamente, alheando-se, todavia, das suas responsabilidades e compromissos em matérias da sua exclusiva competência, como fica patente nos casos da Challenger Cup /Super Liga Ibérica e Taça Ibérica , respectivamente.
E, quanto a apoios aos Clubes….praticamente não existem. E não estou a referir-me exclusivamente a apoios materiais.
Formação ? Pouca e descontínua . Mais evidente a nível dos Treinadores do que dos Árbitros. Insuficiente em ambos os casos...
A fraca liderança, a descoordenação entre Orgãos, a falta de transparência, algum compadrio, e o - pelo menos aparente – excessivo peso administrativo , têm caracterizado estes últimos anos do mandato do actual Presidente.
Relativamente à contestação da convocação de eleições para Janeiro, parece-me que ninguém acredita que o Presidente da AG foi eleito num dia e, no dia seguinte, se lembrou de convocar eleições…É quase ofensivo !
Na verdade, o Presidente, limitou-se a honrar compromissos , não dele, mas do seu antecessor e do próprio Presidente da Direcção da FPR, que, como antes afirmara, apenas se pretendia candidatar depois de saber se Portugal se classificava , ou não, para o Mundial!Esclarecedor...
Será que se desconhece que , há meses, as eleições foram notícias de jornal - quem não se recorda do título de “ A Bola “ , “ Prevêem-se eleições escaldantes “ “ perigo de destabilização da Selecção, etc “- na sequência de uma carta entregue numa Assembleia Geral, subscrita por mais de uma dezena de Clubes insatisfeitos com a situação e nela se solicitando eleições urgentes, o que, aliás, levou o Presidente da Federação a contactar alguns jogadores da Selecção “ avisando-os “ de que iria haver eleições, “ obrigando-me “ a falar com o Seleccionador nacional dando-lhe a garantia de que, obviamente, qualquer que fosse o desfecho dessas eleições não haveria a mínima interferência no trabalho que estava a ser realizado?
Quem não se recorda do Presidente, Prof. Pedro Lynce ter garantido que seriam convocadas eleições imediatamente a seguir à aprovação dos novos Estatutos...?
E quem não se lembra de próprio Presidente da Direcção, Dr.Dídio de Aguiar, ter aceite essa situação, na mesma Assembleia Geral?
Os Estatutos foram aprovados em Julho, no tempo limite legal e o seu registo oficial apenas feito meses depois, com um atraso injustificável , impedindo que as eleições se tivessem realizado em Setembro, como era a vontade de muitos Clubes e que teria permitido iniciar uma época com tranquilidade, com nova Direcção ou com a mesma , com poderes reforçados.
Aliás, não faz qualquer sentido haver uma nova Assembleia Geral, com uma composição completamente diferente, mantendo-se a mesma Direcção inalterável….
Uma coisa é não se concordar ou não desejar eleições , outra, bem diferente, é desconhecer a situação…
Evidentemente que a altura não é a melhor. Também estou de acordo. As eleições deviam ter sido convocadas em Setembro. É por isso que acho que o dia 8 de Janeiro é uma má data, por tardia…É, todavia, um mal menor. A responsabilidade da actual situação só pode ser imputável à Direcção que, definitivamente, não queria sujeitar-se a eleições. Porquê ? Haver eleições não significa, obrigatoriamente, mudança, muito menos quando se tem consciência do bom trabalho produzido.
Todos sabiam que as eleições tinham que se realizadas ATÉ JULHO, o que , na prática, implicaria a impossibilidade de introduzir quaisquer alterações para a próxima época….já que, como se sabe os calendários das Provas, entre outras coisas, têm que ser aprovados até essa altura.
Parece-me, pois, que nos devíamos, todos, concentrar na procura das melhores soluções para o rugby nacional, procurando os consensos possíveis em áreas transversais, nomeadamente no Conselho de Arbitragem e no Conselho Geral. Certamente que ninguém quererá dividir. Aliás, se em termos de escolha de Presidente/Projecto não há grande espaço para entendimentos – só um pode ser eleito… - não vejo razão para , por exemplo, o Conselho de Arbitragem e o Conselho Geral não se poderem apresentar listas únicas.
Por mim, como sempre, estou aberto a conseguir consensos, mesmo antes da apresentação pública, prevista estatutariamente em reunião a promover pelo Presidente da AG. Se não houver outra, essa será, certamente, uma boa ocasião para os candidatos apresentarem os seus projectos aos Delegados.
Em resumo: Havia quem defendesse a convocação urgente de eleições ; os descontentes. E havia quem a não quisesse; os satisfeitos!
A decisão foi, no meu entender, correcta e coerente.
Apresentam-se, agora, legitimamente, como candidatos, duas pessoas com projectos e personalidades diferentes. Um já teve tempo para mostrar o que quer e como pretende gerir o rugby nacional, o outro – eu, portanto… - tem manifestado, consistentemente, as suas posições na defesa, conciliatória, dos interesses dos Clubes e da Selecção . É conhecido o trabalho desenvolvido por ambos. Qualquer deles, de forma diferente, quer servir o rugby nacional.
Caberá, agora, aos Delegados, avaliarem qual a melhor solução. Por mim, qualquer que seja o resultado desse sufrágio, continuarei a trabalhar para que, com a participação activa e indispensável dos Clubes , o rugby se transforme num verdadeiro desporto nacional. Sem preconceitos, inimizades ou rancores. É, para mim, apenas mais um jogo que , como sempre, quero ganhar. Estou para isso preparado. Se perder….apresentar-me-ei na terceira parte! E se ganhar, também, claro….
Com amizade
C. Amado da Silva




